Os erros que eliminam o teu CV (e o que pôr em vez deles)
Erros no CV que eliminam candidaturas: mentir, exagerar, informação pessoal a mais, erros de português. Aprende o que pôr no lugar e cria um CV que passa.

Os erros mais comuns que eliminam um CV em Moçambique são mentir ou exagerar a experiência, juntar informação pessoal a mais (BI, NUIT, filiação, naturalidade), enviar um CV genérico, ter erros de português e fazer um currículo demasiado longo. Os dados que não interessam à função ficam de fora; entra o que mostra que consegues fazer o trabalho.
A resposta curta
- Mentir ou exagerar é o erro mais grave. A MozYouth, organização juvenil moçambicana, colocou-o no topo da lista a 17-07-2024.
- Dados pessoais que não interessam ficam fora. BI, NUIT, filiação, naturalidade e estado civil: portais moçambicanos e um guia local de CV desaconselham todos.
- Uma página chega. Um portal moçambicano de emprego reporta currículos descartados só por serem demasiado longos (26-03-2026).
- Envia em PDF, com nome de ficheiro simples como nome-apelido.pdf, e relê tudo antes de enviar.

Os 5 erros que eliminam o teu CV
1. Mentir ou exagerar
«Exagerar ou mentir» é o erro número um da lista da MozYouth, organização juvenil moçambicana, publicada a 17-07-2024. Um portal moçambicano de emprego (15-09-2025) junta o mesmo problema à sua lista de erros comuns: «inventar experiências».
O motivo é simples: a mentira só se sustenta até à primeira pergunta. «O que fazias exactamente nessa função?» — se a resposta não fecha, a confiança morre ali. E se passares, a empresa pode confirmar mais tarde. Um CV honesto com menos anos vence sempre um CV floreado que não aguenta a verificação.
2. Informação pessoal a mais
BI, NUIT, filiação, naturalidade, data de nascimento, estado civil, nome dos pais, hobbies. A MozYouth (17-07-2024) chama a isto «informações irrelevantes ou pessoais»; um portal moçambicano de emprego (15-09-2025) fala de «demasiada informação pessoal desnecessária».
Cada linha que não vende o teu trabalho rouba espaço ao que interessa. Um portal moçambicano de emprego define o CV como «ferramenta de marketing de carreira, e não uma autobiografia». Um guia moçambicano de elaboração de CV é mais directo: «Estado civil, filiação e data de nascimento também não acrescentam nada».
3. CV genérico para todas as vagas
Enviar o mesmo CV «com todas em cópia» — para cada empresa, sem mudar uma linha — é outro erro que a MozYouth apontou (17-07-2024). E não é só ela: um portal moçambicano de emprego lembra que os recrutadores avaliam centenas ou até milhares de currículos numa «vista de olhos rápida».
Um CV de cópia não dá ao recrutador nenhuma razão para te chamar. Ajusta o resumo de perfil à vaga e destaca, em cada experiência, as tarefas que se parecem com as do posto. Vinte minutos por candidatura valem mais do que cem envios iguais. E se a empresa recebe as candidaturas num sistema de triagem, vê o nosso guia de CV para sistemas automáticos.
4. Erros de português
«Erros de português são um dos principais motivos para a eliminação de candidatos na triagem inicial» — é essa a conclusão de um portal moçambicano de emprego (28-10-2025). A MozYouth foi mais dura: os erros de ortografia levam à «quantidade de CV's que vão parar ao lixo» (17-07-2024).
O CV é a tua primeira prova de escrita. Um documento com erros sugere descuido, e em vagas que exigem comunicação escrita é muitas vezes o que decide a triagem. Lê o CV em voz alta, pede a alguém para o rever e não confies só no corrector do telemóvel: ele não conhece os nomes de bairros, cidades e termos de Moçambique.
5. CV longo a mais e email informal
Um portal moçambicano de emprego reporta que «muitos currículos são descartados simplesmente porque são muito longos» (26-03-2026). O mesmo portal que alertou para a informação a mais (15-09-2025) soma ao problema o email informal: candidatar-se com um endereço tipo «rei_da_cidade_77» é começar mal a conversa.
Um CV de três páginas obriga o recrutador a procurar o que interessa — e há quem nem procure. E o email é a primeira impressão: cria um endereço com o teu nome (por exemplo, nome.apelido) e usa-o só para as candidaturas. A carta de candidatura segue a mesma disciplina: curta, adaptada e sem floreados.
O que pôr no CV — o que NÃO pôr
Um CV que chega à entrevista é curto, claro e falado para a vaga. Divide-o em seis blocos:
- Nome e contactos — nome completo, telemóvel, email profissional e a cidade onde vives (a morada completa não é precisa).
- Resumo de perfil — duas ou três linhas: quem és profissionalmente e o que procuras.
- Experiência — empresa, função, datas e duas ou três tarefas com resultados. Ordem inversa: a função mais recente primeiro.
- Formação — curso, instituição e ano de conclusão. Só a que interessa à função.
- Competências — as técnicas e as que a vaga pede, sem exagerar (voltamos ao erro mais grave).
- Línguas — português, inglês e outras. Um guia moçambicano de elaboração de CV considera as línguas locais — changana, macua, sena, ndau — uma vantagem real.
A apresentação também conta. O portal que alertou para «misturar várias fontes e cores» (15-09-2025) tem razão: uma fonte só, uma cor de destaque e espaço em branco. O recrutador não deve precisar de esforço para te ler.
O que fica de fora:
- BI e NUIT — pertencem à fase do contrato, não à candidatura.
- Filiação, naturalidade e data de nascimento — não acrescentam nada, e a naturalidade não deve ser critério de avaliação.
- Foto — só se a vaga pedir.
- Estado civil, religião e hobbies — informação pessoal que não vende o teu trabalho.
- Referências completas — substitui por «referências a pedir».

Foto no CV: sim ou não?
Não é obrigatória. É o que diz o gerador de CV de um portal moçambicano de emprego: a foto é opcional, e se decidires usá-la deve ser em JPG, PNG ou GIF com até 5 MB.
E quando a vaga pede foto? Aí ela conta, e a qualidade conta. Foto profissional: rosto visível, fundo simples, roupa do sector, luz frontal. Nunca uma selfie ao espelho, nunca uma foto de festa, nunca uma imagem recortada de uma fotografia de grupo.
Em caso de dúvida, deixa a foto fora. Quem contrata quer saber o que fazes, não como ficas numa festa de sábado.
BI, naturalidade e filiação: o que a lei e o mercado dizem
Começa por um facto: não existe nenhuma fonte oficial moçambicana que obrigue a pôr o BI, a foto ou a naturalidade no CV. A ideia de que o CV tem de levar o BI vem do hábito — e, no caso da filiação, da escola — não da lei nem do mercado.
Um portal moçambicano de emprego é claro:
- BI: «é regra não colocar o número de BI nos modelos que disponibilizamos». A regra existe para «protege-se contra roubo de identidade», porque «esse dado é irrelevante» para avaliar um candidato.
- Email: se enviares o CV por email, confirma que o documento «não contenha o seu número de BI».
- Excepção: alguns portais de recrutamento podem «solicitar» o BI «como forma de validação da sua identidade» — nesses casos, o número entra no formulário da candidatura, nunca no CV.
Um guia moçambicano de elaboração de CV resume a prática: «O número do Bilhete de Identidade e o NUIT pertencem à fase do contrato»; assim «protege-se de fraudes com a sua identidade», e «Estado civil, filiação e data de nascimento também não acrescentam nada».
Sobre a filiação, um portal moçambicano diz que «não é considerado informação relevante para a maioria das empresas na avaliação de um candidato». Sobre a naturalidade, que «não deve ser uma métrica de avaliação de um candidato».
E a lei? A Lei do Trabalho em vigor (Lei 13/2023, de 25 de Agosto) tem três artigos que interessam aqui:
- Artigo 8 — protecção de dados: o empregador não pode exigir informações relativas à vida privada do trabalhador.
- Artigo 5 — não discriminação: o «lugar de nascimento» é um dos motivos de discriminação expressamente vedados. Usar a naturalidade para avaliar um candidato contraria este artigo.
- Artigo 93 — horário de trabalho: a semana normal de trabalho é de 48 horas. Útil para saber os teus limites quando negociares horários. E para saber quanto se ganha em cada área, consulta os salários mínimos por sector em 2026.
Um esclarecimento: a lei não proíbe, em termos expressos, que um recrutador peça o BI — essa é uma leitura interpretativa, e ninguém deve afirmar o contrário. O que é certo é que a prática recomendada em Moçambique, e a regra dos próprios modelos moçambicanos, é não pôr esses dados no currículo.
Há ainda uma excepção rara à naturalidade: quando tem relação directa com as tarefas do posto — fora dessa, fica de fora do CV.
Podes consultar o texto oficial: Lei 13/2023 — Lei do Trabalho (PDF oficial).
Referências no CV: como fazer
Escreve «referências a pedir» e não os contactos. É a fórmula mais comum e evita o problema de veres o número do teu supervisor numa página que vai parar a mãos que não conheces.
Os contactos das outras pessoas são dados pessoais. Segue-se aqui a mesma lógica do artigo 8 da Lei 13/2023: os dados de terceiros só se partilham com o seu consentimento expresso. E há um segundo risco: o recrutador liga, e a pessoa não faz ideia de quem és.
Quando a vaga pedir referências concretas, faz assim:
- Escolhe duas ou três pessoas que trabalharam contigo: um supervisor, um colega sénior, um professor de estágio.
- Avisa-as antes. Diz para que vaga é, o que a empresa faz e o que podem esperar. Uma referência avisada fala bem melhor de ti.
- Fornece o nome completo, a função e o contacto de cada uma, numa folha à parte ou no formulário da candidatura.
- Se não pedirem, deixa «referências a pedir». Se avançares, entregas na hora.
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Perguntas frequentes
Devo pôr o BI no CV?
Não. Os portais de emprego moçambicanos tem como regra não colocar o número de BI nos CVs: o dado é irrelevante para a avaliação e a regra protege-te contra o roubo de identidade. O BI e o NUIT pertencem à fase do contrato. Se um formulário de candidatura o pedir como validação, fornece-o aí.
A foto é obrigatória no CV?
Não. O gerador de CV de um portal moçambicano de emprego apresenta a foto como opcional. Se a vaga pedir, escolhe uma foto profissional em JPG, PNG ou GIF com até 5 MB. Se não pedir, o CV foca-se no teu trabalho.
Quantas páginas deve ter o CV?
Não existe «uma regra que funcione para todos», como diz um portal moçambicano de emprego — mas um guia moçambicano de elaboração de CV recomenda uma página, e um portal moçambicano de emprego reporta currículos descartados «simplesmente porque são muito longos» (26-03-2026). O CV é uma ferramenta de marketing de carreira, não uma autobiografia.
Posso inventar experiência?
Não — é o erro mais grave, segundo a MozYouth (17-07-2024), e um portal moçambicano de emprego soma «inventar experiências» aos erros comuns (15-09-2025). A mentira não resiste à primeira pergunta do recrutador, e a verificação pode chegar meses depois da contratação.
Referências: escrevo os contactos ou «a pedir»?
Escreve «referências a pedir». Quando a vaga pedir concretamente, entrega duas ou três referências avisadas, com nome, função e contacto. Nunca pões contactos de terceiros no CV sem consentimento — é a mesma lógica de protecção de dados do artigo 8 da Lei 13/2023.
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